Enem 2025 aborda envelhecimento e traz mudanças positivas no formato da prova

Tema é considerado acessível, e professores destacam melhorias na estrutura da prova

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 apresentou como tema da redação Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira — uma escolha que, segundo professores, surpreendeu mais pela mudança no recorte temático, que usou “perspectivas” em vez de “desafios”, do que pelo assunto em si. A proposta, considerada atual e acessível, abriu espaço para diferentes caminhos de argumentação e destacou um tema social em evidência nos últimos anos.

De acordo com a professora de Redação do Colégio Positivo, em Curitiba (PR), e assessora pedagógica do Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento (CIPP) da Rede Positivo, Candice Almeida, o tema já era aguardado há algum tempo. “Em 2009, a prova do Enem que vazou tinha como tema o envelhecimento da população. Desde então, esperávamos que o assunto voltasse. É um tema atual e acessível. A mudança de ‘desafios’ para ‘perspectivas’ facilita a abordagem, pois permite discutir o tema sob diferentes ângulos — social, econômico, político ou de políticas públicas”, observa.

Para o professor de Redação do Curso Positivo, Gabriel Félix, a mudança altera o foco, mas não o raciocínio do candidato. “É preciso compreender a problemática do envelhecimento e refletir sobre quais causas e desafios precisam ser enfrentados para construir boas perspectivas”, destaca.

Segundo ele, o tema foi acessível para quem se preparou adequadamente, embora a alteração de recorte possa ter desestabilizado candidatos acostumados a esquemas prontos de redação. “Quem se preparou apenas decorando estruturas pode ter sentido dificuldade. Já os alunos que aprenderam a interpretar e analisar a proposta de forma autônoma certamente se saíram melhor”, acrescenta.

Mudanças no formato da prova

O professor de língua portuguesa do Curso Positivo, em Ponta Grossa (PR), João Filipe Magnani, realizou a prova e destacou as melhorias no formato. “O rascunho agora está ao lado da proposta, na mesma página, o que facilita bastante, porque o candidato não precisa ficar virando o caderno o tempo todo. Ele consegue ler os textos motivadores e já rascunhar as ideias ali mesmo”, afirma.

De acordo com o professor, parte das instruções passou a ocupar o espaço ao lado do rascunho, o que proporcionou um campo maior para os textos motivadores. “Neste ano, foram seis textos, todos bem selecionados, ricos e contextualizados, que ajudaram o estudante a compreender o foco da proposta e a se situar melhor no tema”, explica.

Na prova de Linguagens, outra novidade foi a inclusão de um texto mais longo, com cinco questões sobre ele. “Isso nunca tinha acontecido — normalmente havia um texto para cada questão. Desta vez, trouxeram uma crônica mais extensa, permitindo maior aprofundamento na leitura e na interpretação”, avalia.

Possibilidades de abordagem e repertório

Como proposta de desenvolvimento, Félix indica discutir a dificuldade de acesso dos idosos aos direitos que já possuem, o etarismo estrutural e o descumprimento de leis como o Estatuto do Idoso e o artigo 3º da Constituição Federal. “Há também fatores históricos, já que o Brasil sempre foi um país predominantemente jovem, em que o idoso era minoria”, completa.

Para o repertório sociocultural, ele argumenta que, além dos dispositivos legais, o estudante poderia citar casos concretos de etarismo, como o ocorrido há alguns anos no interior de São Paulo, e recorrer a referências literárias brasileiras que tratam de questões geracionais e da valorização da experiência.

A professora Candice ressalta que o tema tem ganhado destaque nos últimos anos, impulsionado por episódios recentes de etarismo. “Além disso, a questão do envelhecimento está muito presente na cultura, com produções que abordam o assunto, como o filme A Substância, estrelado por Demi Moore, que foi um sucesso recente e trata do desejo de permanecer jovem”, finaliza.

Para os educadores, a edição de 2025 manteve a essência do Enem — uma prova interpretativa, socialmente relevante e voltada à cidadania —, mas trouxe mudanças que tornam a experiência mais coerente e fluida para o estudante.

Temas das redações em anos anteriores

Enem 2024 – “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”

Enem 2023 – “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”

Enem 2022 – “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”

Enem 2021 – “Invisibilidade e Registro Civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”

Enem 2020 – “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”, na versão impressa; e “O desafio de diminuir a desigualdade entre regiões no Brasil”, na digital.

Enem 2019 – “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”

Enem 2018 – “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”

Enem 2017 – “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”

Enem 2016 – “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”

Enem 2015 – “A Persistência da Violência contra a Mulher na Sociedade Brasileira”

Enem 2014 – “Publicidade infantil em questão no Brasil”

Sobre o Colégio Positivo

O Colégio Positivo, reconhecido como líder e referência no setor educacional, teve sua origem como um prestigiado curso pré-vestibular, expandindo sua atuação para se tornar uma instituição de destaque no campo da educação. Integrante do Grupo Positivo, sua história é marcada pelo compromisso de formar indivíduos éticos, conscientes e solidários, preparados para os desafios futuros com excelência. Desde os primeiros estágios da jornada educativa, o Colégio Positivo se distingue por sua abordagem transformadora, presente em todos os níveis de ensino. Com uma presença consolidada em 20 unidades distribuídas pelos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, a instituição acolhe aproximadamente 16,5 mil alunos, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.

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*por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em transformação, e as habilidades necessárias para atuar em um mundo permeado por IA ainda estão sendo construídas — muitas delas nem sequer possuem nome ou classificação formal em códigos ocupacionais. Apesar da velocidade de adoção, existe uma contradição: o volume de investimento em IA nas empresas é desproporcional aos resultados efetivamente colhidos. Parte do problema está em tentar aplicar IA a processos que já não fazem mais sentido, em vez de repensar os fluxos de trabalho antes de automatizá-los. 88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas apenas 39% reportam qualquer impacto no EBIT — e a McKinsey estima que ~75% dos cargos precisam de reformulação fundamental. A adoção aconteceu; o redesenho do trabalho, não. (dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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